27/04/2013 08:49

/ Última Atualização 27/04/2013 09:06

Renato Piovesan

Demissões no setor têxtil registram queda de 16% no primeiro trimestre

De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores Têxteis de Americana e Região, entre janeiro e março deste ano, 485 trabalhadores perderam emprego, contra 564 no mesmo período de 2012

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Cadeia têxtil teve desempenho melhor em 2013 em comparação com o mesmo periódo do ano passado, mas ainda falta muito

Arquivo / O Liberal

O setor têxtil aos poucos volta a se recuperar após a grave crise do ano passado. Fechadas as rescisões de contrato de trabalho dos três primeiros meses do ano, o Sindicato dos Trabalhadores Têxteis de Americana contabilizou uma redução de 16,2% do número de demitidos, se comparado com o mesmo período de 2012. De acordo com levantamento do Setor de Homologações da entidade de classe, de janeiro a março de 2013 foram demitidos 485 trabalhadores do setor têxtil. Em 2012, este número chegou a 564.

Com aproximadamente sete mil trabalhadores, o setor têxtil de Americana é o maior empregador de mão-de-obra direta da cidade. Ainda assim, a redução do desemprego no setor não se tornou motivo de comemorações para o empresariado, como o presidente do Sinditec (Sindicato das Indústrias e Tecelagens de Americana e Região), Dilézio Ciamarro, chegou a explicar. "Precisamos deixar claro que não é nada para se comemorar, porque nossa indústria só teve uma pequena recuperação em comparação com o ano passado porque 2012 foi atípico. Foi péssimo", frisou.

O proprietário de uma tecelagem em Nova Odessa, Leonardo José de Santana, afirmou que a empresa, hoje, tem mais funcionários do que no mesmo período do ano passado e atribui a melhora nos números à redução ao "medo" dos importadores. "Tivemos uma retração muito forte no final do ano e isso pode ter assustado um pouco os importadores", opinou. Ainda assim, é receoso acreditar na recuperação do setor a partir da redução das importações. "Dizer que é uma tendência? Acho que ainda precisaria esperar um pouco", disse.

Para o proprietário de uma indústria têxtil de Santa Bárbara d'Oeste, José Geraldo Ferraz, o número registrado deve ser encarado com cautela. "Este ano começou muito complicado para o setor. O número não dá a real dimensão. Até o momento, a gente ainda está conseguindo se manter.

APOIO. Se não vier uma melhora, ficará difícil", analisou.

Esta melhora, segundo o empresário de Nova Odessa, passaria pelo apoio do governo brasileiro, visto como insuficiente pelo setor. "O Brasil tem uma das indústrias têxteis mais modernas do mundo e não consegue concorrer com a chinesa. Você paga mais imposto, gera emprego e o governo deixa entrar o produto importado pagando muito menos do que a gente", criticou Santana.

Neste mês, o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), divulgado pelo MTE (Ministério do Trabalho e Emprego), apontou um saldo positivo de 2.217 postos de trabalho na indústria de transformação na RPT (Região do Polo Têxtil), já sinalizando uma melhora em comparação com o ano passado, quando o setor foi o que mais perdeu vagas na região, numa comparação com outros sete segmentos.

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1 Comentário


santos

28/04/2013 03:49

se recuperando com menas demissões,era melhor se recuperar com criaç~es de novos empregos.