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10.5.2010 - 16:42
Na recepção da empresa a meia furada
Diógenes Gobbo - editornet@liberal.com.br

Em 1960, nos primeiros meses do mandato do prefeito Cid de Azevedo Marques e da 4ª Câmara, presidida pelo Dr. Wadih Calil, a cidade vivia clima de mudanças. Medidas para atrair novas empresas eram os assuntos em permanente debate. Na Câmara, por iniciativa do vereador Dr. Estevam Faraone, foram formados grupos de trabalho. Uma primeira reunião para debater problemas prioritários da cidade aconteceu no auditório do Sesi, presentes representantes de autoridades locais, de entidades de classe, sindicalistas, bancários e estudantes. Desse encontro foram formados grupos de trabalho que passavam a funcionar sob orientação do Poder Legislativo e como órgãos auxiliares deste.

O Dr. Faraone fez explanação objetiva sobre as razões da reunião e analisou os principais problemas de Americana. Concitou estudantes, bancários, lideranças políticas e sindicais a somarem esforços na busca do bem comum. Dos debates entusiasmados surgiu a idéia da formação de três grupos de trabalho: de desenvolvimento econômico, do ensino e da assistência social.

Formados os grupos, os seus integrantes ficaram convocados para reuniões posteriores, na Câmara de Vereadores, quando seriam delineados seus planos e equalizadas as suas atribuições. O grupo do Desenvolvimento foi o mais ativo e passou a realizar debates em reuniões de estudos. Numa das primeiras reuniões foram definidas medidas para divulgar Americana e atrair indústrias e a defender, através de estímulos, as empresas existentes.

O primeiro trabalho, sugerido pelo Dr. Faraone, consistiu na coleta de dados estatísticos pormenorizados e atualizados sobre a vida empresarial de Americana. Tais elementos serviriam para fundamentar conservações que seriam levadas a efeito junto a órgãos do governo do Estado, na defesa de interesses das pequenas e médias indústrias.

O município não dispunha de um setor que levantasse elementos de informação sócio-econômica. Nos órgãos do Estado voltados para os municípios os dados disponibilizados eram pobres. Na cidade, a principal fonte de estudos era a agência do IBGE.

Numa das reuniões foi proposta a realização de estudos visando à instalação de uma feira industrial ou de uma exposição permanente às margens da via Anhanguera. Estava lançada a primeira semente da Fidam - Feira Industrial de Americana;

Pesquisar era preciso

Do grupo de desenvolvimento econômico surgiu um subgrupo com a incumbência de sair a campo, num trabalho de pesquisas sobre as atividades industriais e levantamento de informações sócio-econômicas. Compuseram esse grupo, José Nascimento, bancário do Banco do Brasil, colaborador do LIBERAL e dinâmico membro da Casa de Cultura; José Mathias de Azevedo Júnior, contabilista e colaborador do jornal; Santo Basteli, funcionário do Banco do Brasil e Diógenes Gobbo, secretário da Câmara e repórter do LIBERAL.. Fogem-me outros nomes, mas esse grupo trabalhou com dedicação e interesse, reunindo-se à noite, aos sábados e domingos, muitas vezes na residência do Dr. Faraone. Visitas aos arquivos da Assembléia Legislativa e pesquisa em jornais resultaram num relatório feito sem técnica nenhuma de pesquisa, mas que ganhou rasgado elogio público do vereador Faraone.

Primeiros contatos com a Toyobo

A fiação japonesa Toyobo do Brasil desenvolvia os primeiros contatos com municípios do interior do Estado para definir o local de sua sede. Como maior centro de produção de tecidos, lógico que Americana era cotada. O prefeito Cid de Azevedo Marques mantinha contatos permanentes com a direção da empresa e com proprietários de áreas que poderiam ser negociadas. A Prefeitura colaborou decisivamente com leis de incentivos e medidas administrativas. Ressalte-se que não houve doação de área, a gleba foi comprada pela indústria. E quando a Toyobo solicitou uma série de informações sobre Americana, sua história e sua indústria (a empresa queria saber até sobre incidência de greves na cidade), o relatório do grupo de trabalho foi de real importância.

A meia furada

Definida a vinda da empresa para Americana, a sua direção ofereceu uma recepção em São Paulo. Participei a convite do Dr. Wadih. Na recepção, antes do almoço, foi oferecido um chá. Com um ritual. As pessoas ficavam sentadas em almofadas, deixando os sapatos com um recepcionista. Tremi na base ao tirar os sapatos exibi um tremendo furo na meia.


 

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